Seus hábitos X Seus dentes

Assim como no post sobre as escovas de dente, dessa vez convidei meu amigo Ericles Santos para escrever. Ele é formado em odontologia pela UFRJ e mestrando em ortodontia também na UFRJ. Ele nos explicou sobre nossos hábitos bucais e como eles afetam nossos dentes.

Ericles Santos, Mestrando em ortodontia pela UFRJ

Hábito é chamada toda ação executada, ainda que involuntariamente, com frequência. Em se tratando da odontologia, temos os hábitos bucais.

Quando pequeninos, encontramos conforto na execução de determinados hábitos viciosos. Esses, se não removidos, podem desencadear sequelas de difícil correção em nossa vida adulta. Afetam o correto crescimento e desenvolvimento do complexo craniofacial. A prevalência dessas deficiências gira em torno de 76% da população, ocorrendo em ambos os sexos (Garde, 2014).

Creio que a grande maiora de nós já chupou dedo ou chupeta, por exemplo! E, embora saibamos que realizar tais ações não são benéficas à nossa saúde, às vezes não temos ideia de quão deletérias elas podem ser se não interrompidas no período ideal. Por isso é importante a intervenção de um ortodontista/odontopediatra.

Hábitos bucais

A instalação desses hábitos se da graças aos sentimentos positivos que são gerados através da sua execução, afinal eles são agradáveis de serem reproduzidos. A criança sente prazer e satisfação em realizá-los, gerando uma dependência psicológica a médio-longo prazo, e sua repetição inconsciente.

Desde a vida intrauterina, é possível se observar o feto posicionando os dedos na boca. Porém o hábito só se instala efetivamente no período pós natal, pouco antes de haver a erupção dos primeiros dentes decíduos (dentes de leite). Os hábitos geram distúrbios que, se não tratados e, a depender da intensidade, duração e frequência de execução (Graber, 1962) podem afetar o correto funcionamento dos tecidos bucais, distorcendo a forma e a relação entre os arcos dentais.

Gisfred, em 2006, realizou uma revisão de literatura em que apresenta 3 categorias de hábitos bucais, dos quais vamos discorrer a seguir: 

Hábitos nutritivos

Aleitamento artificial (mamadeira): Ele é utilizado muitas vezes como alternativa para o aleitamento natural (peito). Quando a alimentação é feita exclusivamente por esse método, a criança pode apresentar hipodenvolvimento e/ou mal posicionamento dos maxilares e estimulação dos tecidos bucais. Isso porque o esforço para conseguir o alimento é menor e o posicionamento lingual também é errado, se comparado com a sucção de peito. Acarretando em problemas oclusais posteriores, e distúrbios musculares. Quando mista (peito e mamadeira), a criança tem uma maior chance de desenvolver uma sucção inadequada na sucção natural (França, 2008).

Nos casos em que é necessário a interrupção do aleitamento natural, indica-se a introdução do copo educativo, devendo esse ser considerado a primeira opção para os bebês.

Hábitos não nutritivos

Sucção de dedo (como vemos na imagem a seguir): Em geral, é o hábito não nutritivo mais recorrente, e mais danoso aos tecidos bucais. Estando associado na maior parte das vezes o polegar, embora outros dedos também possam ser utilizados.

Sucção de chupeta: Quando feito em mesma intensidade, frequência e duração que a sucção digital, é menos danoso. Porém também tem alto potencial de desencaear uma série de problemas ocluso-musculares se não removido no período ideal.

Hábitos funcionais

Respiração bucal: Normalmente, o ar chega aos pulmões através das narinas. No entanto, em alguns casos, por conta de inflamação das amígdalas, rinites alérgicas, hipertrofia dos cornetos inferiores, etc, a respiração pode ser dita como bucal. Quando a passagem de ar entra diretamente pela boca, ou, ainda, simultânea (buco-nasal) quando passa pelos narizes e boca. Os dois últimos casos são danosos ao organismo, uma vez que não há filtro e pré-aquecimento do ar que adentra, além de exigir um maior esforço para sua execução. Fazendo com que a criança desenvolva uma face de cansado (também dita como adenoideana). 

Deglutição atípica e interposição lingual: No período pré-dental a criança apresenta deglutição visceral e um posicionamento lingual mais anterior, entre os roletes gengivais. Com o desenvolvimento das estruturas bucais, o correto é que haja um amadurecimento dessa deglutição e um reposicionamento mais para posterior da língua. Porém, em alguns casos isso não ocorre. Desencadeando, dentre outros fatores, hipotonia dos músculos bucais e alteração da inclinação axial normal dos elementos dentários.

EO correto dianóstico dessas alterações deve ser feito com critério. Em muitas das vezes, o tratamento a ser realizado é multidisciplinar. Envolvendo outras especialidades além da ortodontia, como fonoaudiólogo, otorrinolaringologista e psicólogo. A partir dos 4 anos de idade, a criança precisa ir ao ortodontista e odontopediatra para consultas regulares. É quando pode-se diagnosticar alterações da normalidade a tempo de serem corrigidas. 

Conhece alguém nessa idade? Não deixe de compartilhar essa informação.  Agende sua consulta conosco, tire suas dúvidas e iremos juntos propor o melhor tratamento para a sua necessidade.

O nosso cartão de visita é o seu sorriso!
“Brilhe como um diamante”
Drª. Isabel Andrade

Uma resposta para “Seus hábitos X Seus dentes”

Os comentários estão desativados.